Trocamos uma idéia com a londrina Delphine Ettinger, mais conhecida como Ashes 57. Envolvida com a cultura do grave e arte urbana a alguns anos, ela fala um pouco de como entrou nesse mundo e como veio a se tornar diretora de arte do selo de um dos mestres da cena, o SWAMP81 de Loefah. Confira o bate papo abaixo e algumas artes e fotos feitas por ela.
Para começar, nos conte um pouco sobre você, seu trabalho e como chegou onde está hoje.
Eu faço fotografia, trabalhos de ilustração e design gráfico. Comecei trabalhando em uma grande empresa de design gráfico em Londres. Tive minhas primeiras experiências com impressões lá, até que comecei a me sentir insatisfeita com meu trabalho. Em 2004 tomei coragem e comecei a fazer as minhas próprias coisas, deixei meu emprego e me mudei para o Canadá. Em Montreal o aluguel era mais barato do que em Londres, então tinha menos pressão para sobreviver. Dividia um estúdio com quatro músicos. Costumava sentar toda noite no canto do estúdio e ficar rabiscando, enquanto eles criavam batidas.
Não foi tão difícil começar porque eu estava realmente apaixonada por aquilo, e nada poderia me deter. Mas também tive sorte porque consegui me manter ocupada desde aquela época. Só os primeiros passos foram complicados, não sabia se conseguiria sobreviver de arte.
Como você foi apresentada ao mundo da arte?
Eu sempre fui rodeada por arte. Meu avô pintava quadros e minha família sempre me arrastava para todo tipo de exposições em museus. Há dois anos, a galeria Jalous começou a representar e imprimir a minha arte. Foi através deles que minhas impressões ganharam horizontes mais amplos.
Recentemente você desenhou a capa do novo álbum do selo de Loefah, o SWAMP81. Como você se envolveu nesse projeto?
Há alguns anos atrás, Loefah veio no meu estúdio e viu alguns desenhos que estavam na parede. Ele gostou muito do meu trabalho com linhas em preto e branco. Alguns meses depois, ele me convidou para criar a arte do primeiro álbum de seu selo. Desde então estamos trabalhando juntos nas artes da SWAMP81. Também colaboramos com algumas capas para Sgt Pokes, e hoje sou oficialmente diretora de arte da SWAMP81.
Como você se envolveu com a Bass Culture?
Musicas com alta dosagem de grave sempre me chamaram bastante atenção. Acho que foi o que sempre procurei na música. A vibração da bass music sempre foi natural pra mim. Depois da minha primeira experiência na FWD com aqueles alto falantes Function One, fiquei completamente viciada no grave.
Quais seus Djs, artistas e produtores preferidos?
No momento, eu amo o que o Loefah vem tocando, o som é bem profundo e curto muito isso. Oneman é meu segundo DJ preferido pelo seu talento e pelas músicas que ele toca. Ramadanman, James Blake e Addison Groove são os sangues novos para o futuro. Eles são simplesmente produtores incríveis.
Mala, Instra:Mental e Skream são meus artistas prolíficos favoritos. E meu favorito nas artes visuais é Shepard Fairey. Eu costumava ser sua estagiária, e ele compartilhou comigo o seu conhecimento. Uma experiência que nenhuma escola poderia me dar. Ele é prolífico, e agora domina sua arte.
Qual sua opinião sobre música brasileira?
Não conheço muito de música brasileira, mas eu estava em Nova York mês passado e ouvi algumas músicas bem legais com batidas tropicais e incríveis vocais em português em algumas festas. Não tenho muitos detalhes, mas soava feliz e aconchegante. Eu adoraria ouvir mais MCs em Londres, acho o sotaque muito sexy e que combina com bass music pesada.
Levando em consideração que você está presente em sessões de masterização e prensagem de novas faixas em estúdio, pode nos descrever como é essa experiência?
É bem mágico ouvir a faixa pela primeira vez. Às vezes Loefah toca algumas faixas novas dele pra eu ouvir. Ou algumas vezes vou aos estúdios e ouço o trabalho em progresso, acho isso tudo muito inspirador.
Você fotografou o ultimo aniversário da festa DMZ. Como foi essa experiência para você? O que mais curtiu nessa oportunidade?
A energia da noite era fantástica. Eu estava com Joe Nice, Badawi e Dave Q na noite passada, pousamos em Gatwick e fomos direto para o Mass. Quando chegamos lá por volta das oito da noite já tinha até uma fila pra entrar!
Curti muito o set do DJ Oneman nessa noite. Infelizmente a bateria estava fraca e não consegui tirar muitas fotos no final da noite, mas fiz alguns vídeos. O sound system estava quente e todos estavam de bom humor. Estando dentro da cabine do DJ e olhando para a multidão acendendo seus isqueiros durante a apresentação do Digital Mystikz e de Loefah chegava a dar até arrepio.
É muito especial sentir este momento de harmonia entre o som e os amantes da música.
Faça-nos um top 5 do que anda ouvindo ultimamente.
Mala – Return to Space
James Blake – Buzzard and Kestrel
Ramadanman – Glut
Instra:mental – Forbidden
Addison Groove – Dumb Shit
Entrevista: Stikone
Tradução: Salese
